Médico do futuro: 11 habilidades da medicina inovadora (2023)
Médico do futuro: 11 habilidades da medicina inovadora (2023)
Paulo Miranda
Paulo Miranda
Compartilhe
Índice de Conteúdo

O conceito de médico do futuro vem dos velozes passos que o mundo dá em direção à evolução e inovação (na saúde e em todas outras áreas). Várias alterações estão sendo implementadas no dia-a-dia de diversas rotinas.

Com esta rapidez com que as coisas acontecem, a necessidade de estar sempre em movimento e se readaptando vem impulsionando as mais novas formas de cativar o usuário ou paciente.

Vale pontuar que falar no futuro é pensar a curto prazo. Com a velocidade na qual a medicina do futuro está se desenvolvendo, estar um passo à frente é sempre importante para se adequar ao que o mercado vai utilizar para separar e nivelar os profissionais.

Com a inserção massiva de tecnologia e aparatos eletrônicos, ter habilidades diferentes da massa faz com que um profissional se destaque ou não.

Foi pensando no futuro da saúde que separamos 11 habilidades que todo estudante de medicina – e médico do futuro – precisará ter dentro do futuro da medicina.

1 – Patient design: O Médico do futuro inserindo o paciente nas decisões

Muito tem sido falado sobre medicina personalizada e humanizada. Nesse tipo de atendimento, o paciente deve ser sempre colocado como sujeito único dentro do que se propõe, de modo a atender as particularidades dele e não criar um tratamento voltado para a “receita de bolo” visando atender o maior número de pessoas.

Antigamente, o paciente era um sujeito passivo. Cabia ao médico analisar as literaturas e os tratados em busca do melhor tratamento e submeter ao paciente de modo a melhorar sua doença.

No entanto, o médico do futuro e o atual estudante precisam entender que o paciente é um sujeito ativo e o mais interessado nos resultados finais.

o que o Médico do futuro precisa ter

Inserir o paciente no centro das decisões é uma receita infalível para o futuro.

Com a diversidade de tratamentos, principalmente para doenças terminais, o indivíduo deve ser tratado como indivíduo único.

É preciso, de tal modo, inseri-lo dentro do questionamento sobre o que ele deseja para os próximos dias de sua vida e não submetê-lo a algum tratamento que irá prolongar seus dias sem dar qualidade de vida.

A medicina dos cuidados paliativos foi a primeira a abordar esse tipo de vertente. Através dela, a visão macroscópica sobre dar opções individuais a cada pessoa tornou-se uma qualidade que é tida como diferencial para os futuros profissionais.

As universidades, por sua vez, precisam fomentar a importância do paciente no centro das decisões e o foco na experiência do paciente.

Apesar do conhecimento técnico ser voltado ao profissional, ele precisa mostrar os prós e os contras de toda e qualquer intervenção que vier fazer, além de propor alternativas para que o paciente decida qual a melhor para o momento de sua vida e para o que ele quer viver.

2 – Cuidar de si para recomendar

O cuidado com a saúde do paciente é algo que todo médico sempre terá em mente. É por eles que aprendemos e aperfeiçoamos nas técnicas escolhidas visando sempre levar o que há de mais moderno e eficaz para mitigar as dores do indivíduo.

No entanto, o médico acaba por se tornar um espelho para aqueles que atendem, um referencial a ser seguido e alcançado.

Mediante ao ritmo acelerado, muitos deixam de cuidar de si próprios visando o cuidado ao outro, trocando noites de sono para acompanhar e dar conta de infinitos plantões.

O médico do futuro não deverá seguir essa linha. Ele precisará ser diferente dentro da realidade já quase solidificada: ele precisa ser realmente um exemplo para o outro.

Além de ser um exemplo, é preciso cuidar da saúde não apenas do outro, mas em particular da própria. Só assim poderá entregar sua melhor saúde.

O errôneo ditado de que médico não adoece não deve ser mais atual: deve ser um modelo a ser esquecido.

Além do fato de ser um caminho a ser seguido, quando o médico adoece ele deixa de cuidar de seus pacientes. Em outras palavras: ele deixa de salvar – direta ou indiretamente – vidas que dependem de seus cuidados.

Entra, dentro do cuidado pessoal, a gestão crítica de si mesmo. É preciso ter o pensamento e a personalidade flexíveis para saber quando pedir ajuda, quando o cuidado deve ser voltado para si mesmo. As qualidades precisarão ser englobadas para cuidar bem de si mesmo e do outro.

Até aqui é o papo que sempre escutamos, certo? O fator gamechanger aqui é se dispor a lidar com aplicativos e wearables de saúde para poder lidar, aprender, se familiarizar, entender as dificuldades e macetes no uso dessas tecnologias para poder recomendar aos pacientes.

3 – Fazer as pazes com a tecnologia

Falar de futuro e não falar em tecnologia é algo que se contradiz completamente.

Com a revolução técnico-científico-informacional, o mundo passou a ser interligado entre si, as informações passaram a ser compartilhadas em tempo real e o dia-a-dia tornou-se cada vez mais tecnológico.

Com a medicina não foi diferente. A IoT, também conhecida como internet das coisas, angariou novos patamares médicos no qual Inteligência Artificial, softwares e equipamentos cada vez mais atualizados estão sendo utilizados ou projetados para serem inseridos em um futuro da saúde muito próximo.

Os atuais e os futuros médicos devem se preparar para isso. Querer entrar em um mercado e não fazer parte da evolução é querer se colocar à margem do que se é esperado de um profissional.

Quais as tendências da medicina?

É preciso saber lidar com tecnologia e usá-la da melhor maneira para cuidar do paciente.

É por isso que saber lidar com tecnologia será um dos principais requisitos para os novos médicos e atuais estudantes. Buscando solidez na carreira, muitos acabam por buscar redes sociais ou técnicas de marketing que estejam incrementadas por tecnologias que visam angariar cada vez mais seguidores e reconhecimento.

Por fim, os novos equipamentos estão cada vez mais avançados. Robôs, nanotecnologia e órgãos artificiais são apenas alguns dos exemplos que demandam conhecimento tecnológico para a gestão.

O médico do futuro deve querer aprender, se aperfeiçoar e lidar com a tecnologia.

Não importa o quão básica ela seja, ou o quão superficial seja o conhecimento, a questão é ter literacia digital, pensar com uma mentalidade digital, desde redes sociais e marketing, até as tecnologias em si.

4 – Lifelong Learning

Cognição é a função que permite a aquisição de novos conhecimentos. Não apenas isso, é a possibilidade de receber, interpretar, ter atenção ao associar para solidificar na memória e associar raciocínio, linguagem e pensamento.

A habilidade cognitiva é a possibilidade de mesclar todas as características em uma só. O profissional médico precisa saber angariar novos conhecimentos não apenas para si.

Visando o aperfeiçoamento, é preciso investir na formação para que os pacientes tenham sempre o melhor e o mais atualizado dentro do que a literatura traz consigo e para os indivíduos.

Não apenas conhecer, é preciso interpretar e repassar os conhecimentos. É necessário, também, saber compreender o que o paciente tem a dizer, mesmo quando ele não diz nada.

A linguagem corporal fala, mas é preciso saber interpretá-la para descobrir o que a mesma tem a dizer.

O psiquiatra costuma ter uma dedicação maior, uma cognição propícia para trabalhar todos os sentidos em prol de uma solidificação muito maior.

É preciso, no entanto, que todas as outras especialidades desenvolvam a cognição para trabalhar consigo mesmo e com os que precisam de seu cuidado.

Aprender a aprender é o mecanismo protetor de nossas carreiras perante um mundo BANI em constante evolução (alta velocidade) e encaminhando para algo ‘’tecnocrata’’.

5 – Atenção, Empatia, Pensamento crítico e Resolução de Problemas

O fórum econômico mundial não cansa de alertar: o futuro das habilidades no trabalho passa por competências humanas. Estas em específico são uma das mais valiosas no mercado de trabalho.

Não importa o quanto a IA evolua, sempre haverá espaço para o potencial único que a humanidade tem de captar inputs, trilhar um pensamento crítico e resolver problemas complexos através da conexão criativa de pontos que os algoritmos são incapazes.

Perspectivas para a medicina em 2030

O Bureau of Labor Statistics (EUA), já aponta em números quais as tendências para o futuro da medicina.

Dentro delas está, principalmente, a necessidade de habilidades sociais, prevendo que, enquanto os cargos para médicos e cirurgiões aumentarão 3% até 2030, o número de enfermeiros registrados aumentará o triplo, 9%. Concorrência e qualidade humana serão postas em cheque. 

Para manter seu cérebro em forma, estudantes de medicina e médicos devem usar jogos cognitivos, como os aplicativos Elevate e Lumosity, para melhorar a compreensão, o foco e a autoconfiança.

6 – Toque humano

O toque humano também precisa ser elaborado pelos médicos do futuro.

Conforme estudos, a ciência mostra que existem vários benefícios adquiridos através do contato entre os seres humanos: a diminuição do nível do estresse é um dos principais. Principalmente em pacientes com perda e vulnerabilidade aparente.

Também é possível conquistar uma melhora no sistema imunológico, além de aumentar o nível de ocitocina que é importante e tido como o hormônio da conexão.

Existe uma melhora na qualidade dos relacionamentos, o que reflete diretamente na forma como o indivíduo lida com suas situações e até mesmo com seu lado da saúde.

Com a pandemia, o ser humano precisou lidar com o distanciamento social, não é mesmo? Foi preciso se afastar de todos para garantir o bem-estar, para lidar com um vírus, um agente invisível que começou a causar mortes em cenário mundial. O reflexo foi imediato: os níveis de depressão, ansiedade e estresse subiram exorbitantemente. 

a medicina do futuro anda de mãos dadas com a tecnologia

A importância do toque deve ser, após a pandemia, redescoberta por profissionais e pacientes.

Ao médico do futuro, pede-se uma coisa simples: toque em seu paciente. Com respeito, com pudor, sem cruzar as linhas e limites estabelecidos por cada ser humano, mas faça-o voltar a sentir como o toque humano é preciso e necessário até mesmo dentro do tratamento médico.

Não é necessário ser um toque como um abraço, algo mais intenso ou que extrapole a ética médica. Um simples aperto de mão, o amparo dado ao paciente quando o mesmo descobre algum diagnóstico.

Além do toque físico, tocar a alma está dentro do que é preciso, olhar para o paciente de uma forma única e atenciosa. Com carinho.

Chatbots, algoritmos e apps farão muito pelo paciente, mas o ser humano será cada vez mais valorizado, inclusive financeiramente.

7 – Marketing digital e Comunidades

A mídia social pode ser incrivelmente útil não apenas para resolver mistérios médicos, mas também no caso de doenças raras.

O Instituto Nacional de Saúde, agência médica dos Estados Unidos, reconhece 7.000 doenças raras – definidas como raras aquelas que afetam menos de 200.000 pessoas cada. 

Um clínico geral não pode se lembrar de tudo isso. É aí que entra, por exemplo, o CrowdMed. Os pacientes enviam seus casos para o site e estudantes de medicina, médicos aposentados, enfermeiros ou mesmo leigos oferecem seus diagnósticos em potencial. 

Aqueles cuja avaliação médica foi precisa para o caso recebem alguma recompensa: alguns dólares e uma subida na classificação do sistema. Tem lógica? Precisamos aceitar a mudança, a tecnologia, as redes sociais e o marketing para poder utilizar da melhor forma possível. Aliás, afinal, o que é marketing? 

‘’Marketing é a ciência e arte de explorar, criar e entregar valor para satisfazer as necessidades de um público-alvo com geração de lucro’’, Philip Kotler

Viu que não doeu? Ninguém quis te vender nada, não veio um anúncio chato, não tem nenhum sociopata fingindo ser quem não é.

Marketing é uma ferramenta estratégica fantástica, portanto é um meio, não um fim. Quem denigre ela é o usuário – vulgo charlatões.

Marketing Médico é sobre entender as necessidades do seu paciente, entregar o que ele precisa enquanto profissional médico e ser remunerado por toda a sua trajetória e seu bom trabalho.

E tudo isso pode ser feito com a mesma humanização da sua semiotécnica, bro. Transbordando ética.

Para a Nova Medicina, a nova geração precisa entender que marketing digital é algo sine qua non, tanto para a aquisição de pacientes, quanto retenção. Ou seja, tornar sua carreira viável, eficiente e ainda ajudar a construir sua marca pessoal.

Essa ciência te ajuda a comunicar e construir seu verdadeiro valor de forma única.

8 – Inteligência emocional

Conceito usado na psicologia, a inteligência emocional é saber descrever e reconhecer os próprios sentimentos, além dos sentimentos dos outros.

É uma forma mais ampla de lidar com as próprias emoções e as dos pacientes de modo a não se tornar indiferente.

Muito se fala sobre isso, mas o médico, profissional que lida com doenças e morte a cada dia de sua profissão, precisa estar preparado emocionalmente.

Caso a inteligência emocional não seja bem desenvolvida, o indivíduo pode não saber lidar com o paciente, ou acabar sucumbindo às dificuldades que ele enfrentar.

Ao aprender a lidar com as diferentes emoções, a possibilidade de amparar o paciente é muito maior.

Amparando-o, o médico também conseguirá cuidar de si mesmo e olhar dentro dele de modo a equilibrar a razão com emoção, falando as palavras corretas e se expressando da melhor forma.

9 – Habilidades empreendedoras

Vários estudantes de medicina, dentro da própria universidade, sonham em ter o próprio consultório.

No entanto, para cuidar de seu próprio negócio e ter a independência de estipular seus próprios horários, é preciso saber empreender para oferecer o melhor atendimento aos pacientes.

Diferente do que muitos pensam, empreender não é apenas voltado aos que desejam ter seu próprio negócio: isso também pode ser utilizado em várias áreas da vida profissional.

Definido como processo de criação de inovações aplicadas ao mercado, é preciso que um médico empreendedor possua criatividade, conhecimento em planejamento estratégico e habilidades cognitivas.

O médico do futuro precisa desenvolver tais características. É preciso aprender e estudar sobre empreendedorismo, sobre a forma como aplicá-lo no dia-a-dia e quais os recursos devem ser utilizados na gestão empreendedora.

10 – Capacidade adaptativa

Em constante evolução, a área da saúde traz uma série de novidades incríveis para o profissional e para o estudante de medicina.

Com a possibilidade de mudança drástica dentro de dias, é preciso que o futuro profissional seja capaz de se adaptar (e rápido).

Um termo comumente utilizado atualmente, a resiliência diz respeito à capacidade de superação, principalmente no tocante às crises emocionais e situações estressantes.

Para o médico do futuro, é necessário que ele saiba que as adaptações são necessárias e, por vezes, inevitáveis. Não obstante, as próprias instituições podem passar por mudanças.

Os hospitais do futuro são exemplos do que podemos esperar dentro de uma adaptação que precisará ser feita. Como o profissional está acostumado a um tipo de atendimento e estrutura desde a graduação, ele precisará aprender a aceitar o novo e usar o que lhe for oferecido como ferramenta.

11 – Domínio de diferentes idiomas

Saber mais de um idioma é uma necessidade da própria globalização e dentro do contexto médico não é diferente.

Hodiernamente, vários profissionais ainda contam com apenas uma língua que, no geral, é a nativa e mantém-se fixado nela conforme a carreira vai se solidificando e a necessidade de aperfeiçoamento diminui.

medicina em 2030 - falar muitas línguas será um critério de seleção

Falar mais de um idioma é importante para que o médico consiga sempre se manter atualizado.

Vários dos melhores materiais estão em línguas distintas da de domínio do médico.

Para conseguir ter acesso ao maior número de informações e poder dialogar com a maior quantidade de profissionais, é preciso que o médico do futuro esteja disponível para o aprendizado de um ou mais idiomas que não o seu natural.

As características para um estudante e médico do futuro passam sempre pelo aperfeiçoamento pessoal.

Encontram-se, também, com a necessidade de saber olhar mais para o indivíduo, para o paciente, vê-lo como um ser particular que precisa de cuidados, mas não é sua doença.

Desenvolver cada uma delas é necessário. Visando encaixar-se em um futuro que não sabemos o quão rápido chegará, o estudante precisa começar, desde a universidade, a ser o profissional que almeja.

Empreender, autoconhecer, tocar, falar: independente da ordem, o futuro vai cobrar várias qualidades de um bom profissional.

Questionar acima de tudo! 

Pensar somente em Medicina (técnica) não é pensar. É entrar em piloto automático, seguir o fluxo da manada. A bolha do mercado que encontramos hoje não permite esse luxo, jovem.

Mais do que isso: aprisionar seu potencial, sua forma única de se expressar e impactar o mundo.

Nós precisamos sempre buscar nossa melhor versão, portanto, não esperem ver o clássico por aqui. Vamos desconstruir.
Para você praticar, finalizamos este artigo com algo que vai estimular seu lado questionador: se liga em nosso manifesto. =)

Publicado em:21/11/2022
Curtiu o artigo e quer ser colunista?
Cadastre-se para o processo seletivo de colunistas do Portal Inovação Médica e ainda receba as melhores notícias da med.

Deixe um comentário

Artigos Recentes
Continue Lendo