Neurologia online: 10 tecnologias do neurologista do futuro
Neurologia online: 10 tecnologias do neurologista do futuro
Paulo Miranda
Paulo Miranda
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A neurologia online caminha em passos largos no século XXI, ganhando a caracterização de um cuidado mais personalizado e impactando de forma ativa nos avanços na medicina neurológica.

Dessa forma, crescentemente as máquinas possuem um papel cada vez mais importante no diagnóstico e tratamento de patologias neurológicas, bem como no armazenamento e cruzamento de informações do paciente.

Viemos do futuro para  mostrar 10 promissoras tecnologias do neurologista, a fim de que você fique por dentro das tendências da neurologia online.

Bem como possa ganhar mais interesse sobre o assunto para contribuir com informações relevantes sobre as maiores tendências da neurologia para a comunidade científica e para a sociedade.  

10 promissoras tecnologias do neurologista

I- Teleneurologia

É a união entre a telemedicina e a neurologia. Usa a tecnologia da informação e comunicação para o compartilhamento de informações neurológicas. 

Por meio da neurologia online é possível obter laudos a distância, acessar em tempo real a avaliação dos neurologistas em casos urgentes, reduzir custos e otimizar a entrega de resultados na consulta neuro.

Dentre os seus benefícios já supracitados, observou-se uma grande eficiência na análise do Acidente Vascular Cerebral por teleconsulta, a qual resulta em uma resposta rápida para conter esse evento, já que as chances de sequelas e morte diminuem se o paciente receber tratamento em até quatro horas após a manifestação dos sintomas.

Como funciona:

1- Um profissional de saúde realiza o teste de diagnóstico neurológico;

2- O mesmo profissional compartilha os dados na plataforma de neurologia online;

3- Neurologistas do sistema interpretam os dados e produzem o laudo online assinado digitalmente e liberado pela plataforma, podendo ser impresso, salvo ou enviado ao profissional solicitante.

Assim, resultados que antes eram demorados, agora com a neurologia online podem ser entregues em tempo real pela teleneurologia, pois o serviço acontece 24 horas por dia. 

II – Muse – a bandana de sensoriamento cerebral

neurologia online e as ferramentas para o neurologista do futuro
Imagem 1: Muse é uma bandana que auxilia na meditação e no sono por meio de sensor cerebral que usa biofeedback em tempo real. (FONTE: DIGITAL.HEALTH)

O suporte ao sono é alimentado por eletroencefalograma (EEG). A bandana detecta as alterações cerebrais e usa disso para modular a experiência de sono, comunicando ao cérebro a hora de dormir.

Além disso, possui insights personalizados que resultam em calma e foco durante o dia e sono restaurador durante a noite.

A bandana foi projetada para se encaixar confortavelmente a todos os tipos de cabeça e emitir “Pílulas Digitais para Dormir”, como paisagens sonoras, ambientes, histórias e meditações. 

III- Terapia Digital

Nos últimos anos, a terapia digital vem ganhando força na neurologia online. Em breve, neurologistas poderão prescrever videogames aliados à terapia convencional para tratar várias patologias, devido à responsividade do cérebro às terapias “gameficadas”.

Um dos estudos mais importantes atualmente do uso da neurologia online é sobre o aprimoramento da neurorreabilitação após um acidente vascular cerebral (AVC). 

Para isso, o jogo “MindPod Dolphin”, criado pela empresa MindMaze, treina o controle motor das extremidades superiores.

Outros estudos evidenciaram que o MindPod Dolphin era duas vezes mais eficaz do que a reabilitação habitual e promoveu efeitos positivos na saúde física e cognitiva de idosos em instituições de longa permanência.

Devido ao sucesso dos estudos da neurologia digital, o jogo está sendo testado em pacientes com Parkinson, traumatismo cranioencefálico e esclerose múltipla.

O primeiro videogame terapêutico, aprovado pela FDA, foi o “EndeavorRx, em 2020. Esse jogo tem o objetivo de otimizar a atenção de crianças de 8 a 12 anos com TDHA (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). 

IV – “Tigertriever”

“Tigertriever” é um recuperador de stent ajustável radialmente, dispositivo que permite uma reperfusão bem-sucedida, segura e eficaz na remoção de trombos em pacientes com oclusão de grandes vasos.

Os dispositivos atuais não conseguem realizar uma reperfusão com êxito em aproximadamente 27% dos pacientes. 

Já o estudo feito com esse novo dispositivo evidenciou que a revascularização bem-sucedida foi alcançada em 84,6% com 3 passagens do dispositivo.

Essa tecnologia representa mais uma opção terapêutica na que é segura e eficaz no tratamento de acidente vascular cerebral isquêmico com oclusão de grandes vasos.  Porém, tal tecnologia ainda só está disponível na Europa.

V- “Wearable”

Wearable é um dispositivo que detecta diferentes tipos de convulsões e é usado no pulso, o qual tem grande potencial de revolucionar o tratamento de pacientes com epilepsia.

Atualmente, o eletroencefalograma (EEG) por vídeo é padrão ouro para a detecção de convulsões, mas o Wearable vem como uma proposta alternativa eficiente na neurologia digital, já que não requer internação hospitalar e pode detectar convulsões sutis que são fáceis de passar despercebidas.

Quando ocorre uma convulsão, o dispositivo dispara um alerta e armazena as informações que depois serão carregadas para uma nuvem. 

O objetivo não é substituir o EEG, mas sim atuar como uma ferramenta complementar para rastrear convulsões em ambientes onde o EEG não está disponível. 

VI- Ressonância Magnética (RM) portátil

consulta neuro

Imagem 2: Aparelho de ressonância magnética portátil. (FONTE: MEDSCAPE)

Os exames de neuroimagem ajudam consideravelmente no diagnóstico e conduta de pacientes vítimas de acidente vascular cerebral (AVC) na unidade de terapia intensiva (UTI), mas exige transportar o paciente para a sala de exame, seja na tomografia ou na ressonância, o que pode ser um problema dependendo do quadro do paciente.

O sistema de RM de baixo campo portátil chega para revolucionar a neurologia digital, nesse sentido, visto que possibilita a captura de imagens na beira do leito de pacientes com AVC. 

O dispositivo pode ser conectado em uma tomada comum na parede e é válido ressaltar que não houve eventos adversos durante o estudo com a máquina. 

VII – Estimulação magnética transcraniana de pulso único (EMPpu)

Pacientes com enxaquecas fortes agora possuem uma nova alternativa de tratamento, a estimulação magnética transcraniana de pulso único. 

O dispositivo foi aprovado pela FDA e é uma opção clínica disponível para ataques agudos de enxaqueca e sua profilaxia. 

A neurologia online veio para somar nas diversas opções terapêuticas utilizadas para o tratamento da enxaqueca, já que cada paciente, muitas vezes, responde de forma individualizada às diferentes terapias. 

Lembrando que mesmo assim é necessário manter a consulta com o neurologista.

VIII – Aeonose: O dispositivo que faz diagnóstico de epilepsia

Os pacientes acometidos por epilepsia possuem uma impressão digital respiratória” única, liberando, por exemplo, citocinas inflamatórias, o que pode ser um sinal de perigo.

O “nariz eletrônico”, então, mede os compostos no ar exalado e detecta com fidedignidade os indivíduos com epilepsia, por meio de um programa de reconhecimento de padrões.

Para usar o dispositivo, um bocal descartável é ligado ao instrumento e é colocado na boca do paciente, o indivíduo deve inalar e exalar através do dispositivo por 5 minutos. 

Assim, a programação do aparelho detecta os compostos na medida que o ar é exalado, sendo uma técnica de neurologia online barata, fácil e rápida quando comparada ao eletroencefalograma. 

IX –  Estimulação cerebral personalizada

A estimulação cerebral personalizada produz novas esperanças para o tratamento da depressão grave. 

No estudo desse mecanismo, pesquisadores identificaram padrões específicos de atividade cerebral responsáveis pela depressão de uma paciente e, por meio disso, personalizaram um protocolo de estimulação para moldar os padrões.

Os pesquisadores utilizam a eletrofisiologia intracraniana e a estimulação elétrica focal para obter os resultados esperados. Para isso, o paciente recebe um implante sensores de detecção posicionados em locais estratégicos. 

Assim, quando um sensor detecta um padrão de atividade associado à depressão, o outro libera uma carga de eletricidade que alivia o humor deprimido.

X – Tecnologia de interface cérebro-máquina:

É um programa de reabilitação na neurologia digital que usa realidade virtual, andares robóticos e um exoesqueleto robótico controlado pelo cérebro, o qual é capaz de ativar os nervos da medula espinhal lesados em um paciente com paralisia de membros inferiores.

Os pacientes do estudo realizado apresentaram melhoria na localização da dor e no tato epicrítico e protopático após 12 meses de treinamento. Além disso, os pacientes também recuperaram o controle muscular em áreas abaixo do nível da lesão medular.

Esses sistemas de interface conectam a comunicação cerebral com computadores e próteses. Ainda que esteja usando dispositivos, o cérebro do paciente cria uma sensação de que ele está realizando o movimento sem a assistência de dispositivos. 

Portanto, percebe-se que o século XXI veio com tudo no que tange à neurologia digital, trazendo um tratamento cada vez mais individualizado ao paciente. 

E as perspectivas para as próximas décadas são bem grandes quanto ao estabelecimento  dessas tecnologias na rotina do neurologista. 

Dessa forma, as máquinas vêm ganhando um papel importante no diagnóstico e no tratamento do paciente, como foi mostrado nos 10 exemplos tecnológicos que vão progressivamente aparecer em destaque no mercado da neurologia online.

Dada a importância do tema, convido-lhe a disseminar o conteúdo da neurologia digital empregando o que foi discutido neste texto em, quem sabe, algum projeto de pesquisa, já que o conteúdo é novo, relevante e interessante. 

consulta com neurologista
Publicado em:19/11/2022
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