Novo Normal: seu conceito e os 18 impactos na prática médica
Novo Normal: seu conceito e os 18 impactos na prática médica
Paulo Miranda
Paulo Miranda
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O que a pandemia tem a ver com o novo normal? A primeira questão está no fato de que o isolamento social e as normas sanitárias para conter a transmissão da COVID-19 modificaram de forma rápida a maneira como se produz e como se consome no planeta inteiro (e não só no nosso país).

Na área da saúde, a partir dessa realidade, a indústria encaminhou-se para serviços virtuais, enquanto construía parcerias com intuito de produzir e adquirir vacinas, tratamentos e suprimentos.

Ao passo que esse cenário de isolamento ainda requer atenção e cuidados, o setor de saúde global continua enfrentando desafios apresentados por ele.

Assim, uma explosão de tecnologias digitais e dinâmicas de cuidados e prevenção de doenças ocorreram como forma de enfrentamento a essa pandemia de proporções históricas.

Com isso, muitos especialistas se viram obrigados a alterar seus meios de atuação, a fim de respeitar as limitações exigidas pelo novo coronavírus.

Cabendo, dessa forma, a esses profissionais se adequarem às circunstâncias e realidades que parecem ordenar os atendimentos aos pacientes de agora em diante.

No decorrer deste, que vai bem mais além de um artigo de opinião sobre a pandemia e o “novo normal” desencadeado a partir dela, explicaremos mais sobre quais os principais impactos deste conceito, substancialmente na realidade dos consultórios médicos, e qual o papel da Telemedicina nesse contexto.

O que é o Novo Normal?

Novo Normal: o que é?

Antes que se defina normal “novo”, observe o panorama: no início da pandemia, imaginava-se que o isolamento social seria breve e que logo a população poderia voltar às suas rotinas normais.

Entretanto, a crise continuou e como ela todas as modificações foram estendidas adaptando-se para demandas contínuas de distanciamento, algo que ficou conhecido como o novo normal.

Tudo foi sofrendo modificações, a forma de trabalho adquiriu estruturas novas, assim como a forma de consumo dos serviços; estes são os aspectos que norteiam este conceito de normalidade “novo”.

Empresas precisaram se adaptar ao estilo home-office e ao modelo de delivery. Logo, quem não estava preparado sofreu com efeitos econômicos negativos.

Conexões virtuais se intensificaram no Brasil e como consequência, viu-se o aumento da desinformação generalizada em saúde.

Situação essa, que gerou muitos mitos e rumores sobre prevenção e tratamento de doenças e agravos de saúde entre outros.

Nos consultórios médicos, o novo normal já é uma realidade que influencia o segmento de saúde. Com a chegada da pandemia de COVID-19, muitos profissionais se viram na incumbência de mudar seus meios de atuação, a fim de atender às limitações impostas por essa nova conjuntura.

1 – Impacto nos consultórios médicos

o novo normal - teleconsulta na prática

Exemplificando uma teleconsulta

Os profissionais de saúde se tornaram autores em suas frentes de atuação no intuito de combater o coronavírus.

Nesse contexto, o grande desafio dos médicos tornou-se a continuidade dos serviços de saúde não relacionados à pandemia, além de ter que lidar com a prevenção e a terapêutica da COVID-19.

Algo que auxiliou nesse sentido foi a Telemedicina. De forma mais viável, prática, produtiva e acessível a todos, a Telemedicina tenta promover a mesma qualidade e humanização das consultas tradicionais.

Além disso, permite a manutenção da atenção à saúde com qualidade e sem riscos de contágio.

Desse modo, o novo normal nos consultórios será marcado pela adesão às tecnologias digitais, com impacto e benefício profundo para o futuro da medicina. Visto que, a adesão às teleconsultas, telemonitoramentos e outras modalidades semelhantes mostraram-se muito vantajosas para médicos e seus pacientes.

2 – Fatores que devem impactar os gastos com saúde 

Sabe-se que as mudanças climáticas estão impactando as condições de vida das pessoas, bem como os determinantes sociais da saúde.

Relatórios recentes mostram que os custos de saúde relacionados às mudanças climáticas e poluição são estimados em US $820 bilhões por ano.

Ademais, as mudanças climáticas são vistas pela comunidade de saúde pública como a maior ameaça do século XXI à saúde pública.

E, infelizmente, nenhum país ou continente está isento dos impactos na saúde causados pela piora das mudanças climáticas globais.

Por isso que uma ação importante seria manter a força de trabalho de saúde com conscientização e treinamento para compensar os impactos das mudanças climáticas no ecossistema.

Um exemplo disso são as iniciativas para reduzir e descartar corretamente o lixo clínico e os equipamentos de proteção individual (EPI). 

A tecnologia tem um papel crítico a desempenhar no fornecimento de infraestrutura digital e soluções para permitir um ecossistema de saúde descarbonizado.

Além do mais, os governos também desempenham um papel importante, definindo padrões de energia limpa e outros instrumentos regulatórios e políticas. 

No Brasil, há uma associação sem fins lucrativos conhecida por Projeto Hospitais Saudáveis (PHS). Tal projeto dedica-se a transformar o setor de saúde em um exemplo para a sociedade nas áreas da proteção ambiental e da saúde e bem-estar dos trabalhadores, pacientes e da população em geral.

Qual caminho você escolherá daqui para frente? 

artigo de opinião sobre a pandemia - qual caminho você vai seguir?

Qual o caminho a ser seguido quando a doença se normalizar? Voltar ao normal, ou seja, ao cenário anterior à pandemia ou seguir com a realidade imposta pela doença (Saúde Business)

Escolhendo seguir com a realidade há duas estratégias. Uma é adaptar o consultório e o trabalho às soluções digitais sem deixar que isso interfira na produtividade e na qualidade dos atendimentos.

Outra seria encontrar uma ferramenta que atenda essas demandas e objetivos, sendo o prontuário eletrônico, o principal equipamento nesse sentido.

Principais tendências do novo normal nos consultórios e na medicina

O normal é um comportamento comum, um fenômeno que não foge do padrão. Quando nos referimos a um novo normal, estamos falando de uma mudança nos padrões que já estamos acostumados.

A pandemia forçou mudanças que a maioria da população não estava esperando, como a Telemedicina e o home office, que é o trabalho remoto a partir do lar.

Desse modo, as pessoas perceberam que não é preciso gastar horas no trânsito para ir ao trabalho, ou para realizar uma consulta.

Principais tendências do Novo Normal nos consultórios e medicina

O vídeo acima explica um pouco mais sobre as principais tendências do novo normal nos consultórios e na medicina que estão relacionadas com a biossegurança, os consultórios mais digitais, a tendência dos coworkings médicos, a descentralização e compartilhamento de estruturas, o empoderamento do paciente e a fidelização pós-consulta.

3 – Modelo de cuidado da Saúde será redefinido

Mudanças nas ações de saúde pública causadas pela COVID-19 expuseram fragilidades desse sistema em diversos países.

O alcance e a resistência desta crise global afetaram a capacidade em detectar e responder à mudança incessante de emergência de uma forma multidimensional que poderia ter atenuado seu impacto.

Apesar de alguns triunfos, como foi o exemplo da Nova Zelândia, os sistemas de muitas nações se mostraram ineficazes.

Principalmente, nos quesitos de vigilância de doenças, gerenciamento de surtos e rastreamento no decorrer da gradação dos surtos iniciais e consecutivos da pandemia. 

A força de trabalho da saúde pública foi colocada sob uma grande e prolongada pressão. Por conseguinte, o resultado foi um esgotamento generalizado e traumático trazendo dificuldades no rastreamento de contratos, coleta e análise de dados, planejamento de vacinação em massa, logística entre outros setores.

Ao mesmo tempo, a pandemia tem atuado como um incentivador para reimaginar o futuro da saúde pública.

Ela despertou nos governos, indústrias e consumidores a consciência dos desafios dos sistemas de saúde pública e a compreensão ampliada de que alcançar melhorias demanda ações sistêmicas e coordenação intersetorial.

Condições culturais, políticas, ambientais e socioeconômicas transformaram o conceito de normalidade

Os determinantes sociais são conhecidos como as “causas das causas” da saúde precária, e abrangem a gama de diferenças sociais, ambientais, políticas e culturais que impactam direta ou indiretamente a saúde de indivíduos e populações; e são reconhecidos globalmente como uma dimensão central da política e prática de saúde pública e são centrais para a ação sobre as desigualdades em saúde (The future of public health, Deloitte UK)

Esse contexto ocasionou um reconhecimento crescente da necessidade de se dedicar à saúde da população.

Ao ponto que diversos países estão elaborando programas inovadores para levar a saúde pública na direção correta. 

A Nova Zelândia, por exemplo, instituiu um orçamento de bem-estar focado mais a longo prazo.

O eixo é a transição para um ambiente sustentável e de baixas emissões, ainda assim, apoiando a era digital, elevando as rendas, habilidades e oportunidades, reduzindo a pobreza infantil, e apoiando a saúde mental de todos.

No Brasil estabeleceu-se o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS). Ele conta com uma colaboração de seis hospitais privados visando fortalecer e desenvolver suas relações com as secretarias de saúde pública e atender às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

4 – Soft Skills à prova

Soft skills são habilidades comportamentais relacionadas à forma como o profissional lida com o outro e consigo mesmo nas mais diversas situações.

Na visão do paciente, boa parte do valor está na habilidade do médico de se conectar com a sua realidade, manejar suas expectativas, emoções e dar uma experiência de cuidado ótima para o indivíduo.

Desse modo, observamos que a boa medicina está cada dia mais distante de ser apenas o diagnóstico correto e uma boa conduta.

Principalmente por que tecnologias como a inteligência artificial (IA), por exemplo, podem vir a fazer cada vez mais no futuro e o setor tem esse entendimento gradativamente mais estruturado.

5 – Integração de dados

Levantar e ordenar informações relacionadas à pandemia foi um dos obstáculos evidenciados pela pandemia, demonstrando com isso a relevância da integração de dados na área da saúde.

Assim, em determinados contextos médicos a integração torna global os dados e permite disposição e rastreamento das informações consideradas relevantes.

Haveria diferença em ter dados globais para rastrear todas as informações necessárias, seja na quantidade de doentes, ou comportamentos de diferentes regiões.

Atualmente, como nem todos os indivíduos são testados e o Ministério da Saúde (MS) tem o desafio de reunir todas as informações, os números divulgados não mostram totalmente a realidade. 

Saindo do cenário macro e voltando aos consultórios, a unificação dos dados também é essencial.

Isso porque, quando as informações dos pacientes são centralizadas e organizadas em um só lugar, é mais fácil promover uma consulta ágil, completa e com históricos favorecendo diagnósticos mais precisos. 

Dessa maneira, nos consultórios médicos, será oportuno, para o novo normal, contar com plataformas aptas a lidar com as informações de forma segura e inteligente.

Tal ferramenta também precisa permitir ao médico atender de qualquer lugar com qualquer dispositivo autorizado, e compartilhar as informações com os pacientes ou especialistas envolvidos.

Devido a isso, será cada vez mais comum que profissionais busquem por softwares médicos de gestão para lidar com os dados de maneira segura e com respaldo jurídico. Pensando também em questões como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)

6 – Transformação digital e uso de tecnologias voltadas para a saúde

Os sistemas de saúde em todo o mundo têm enfrentado a alta no número de pacientes, o esgotamento dos funcionários e escassez de mão de obra, entre outros problemas.

À medida que isso ocorre, a prestação de cuidados de saúde tem estado sob intensa pressão e sendo analisada durante toda a pandemia de COVID-19.

Junto à pandemia temos recessões econômicas e custos crescentes dos sistemas de saúde que estão sendo forçados a alterar sua força de trabalho, modelos de infraestrutura e outras estruturas no intuito de respeitar metas de qualidade e acesso.

Uma solução para isso foi a transformação digital no modelo de prestação de cuidados, acelerada pela pandemia.

Para enfrentar os atuais desafios e criar cuidados com tecnologia digital, os hospitais e sistemas de saúde estão se voltando para a computação em nuvem, 5G telecomunicações, IA, dados interoperáveis ​​e análises.

7 – Investimento em Marketing Digital

defina normal e aprisione-se num mundo que clama por liberdade.

Investimento em marketing digital feito pelas clínicas e hospitais brasileiros (Doctoralia e TuoTempo)

De fato, mais empresas da área passaram a destinar parte do seu orçamento em ações de divulgação, demonstrando a possível implicação do peso que o marketing exerceu sobre as empresas.

Além disso, possivelmente a parcela que pretende investir em marketing vai aumentar no pós-pandemia.

8 – Empreendedorismo fervendo

As atuais dificuldades econômicas têm feito com que os profissionais voltassem suas atenções ao fortalecimento de sua atuação no mercado.

E mesmo o cuidado do paciente permanecendo como principal objetivo, diversas tendências citadas até aqui mostram como os médicos precisarão se reconhecerem como empreendedores.

Algo que deve ser englobado na rotina dos profissionais que administram seu consultório é o AAFR.

Essa sigla resume os quatro principais objetivos de um médico empreendedor: atrair, atender, fidelizar pacientes, e rentabilizar o consultório.

A procura por especialização médica em empreendedorismo e gestão financeira, por exemplo, tem se tornado comum durante a pandemia, e continuará forte depois dela.

Além de que, cada dia mais profissionais se voltarão ao empreendedorismo, qualificando-se na busca de atrair novos públicos, fidelizar pacientes e rentabilizar o consultório.

9 – Medicina de (micro)influência

O eixo da autoridade técnica que antes estava em grande parte na mão de instituições como hospitais e faculdades, hoje está mais democratizado.

Um médico pode encher seu consultório por ser uma autoridade digital mostrando que tem competência e conteúdo necessário. 

Essa democratização permite que os profissionais ganhem protagonismo pessoal e reduzam sua dependência das estruturas estabelecidas.

Um auxílio para isso são as plataformas de teleconsulta que permitem mais autonomia aos profissionais.

Ademais, devemos destacar a importância das evidências científicas nas tomadas de decisão.

10 – Inteligência Artificial no Atendimento

voltar ao normal nunca mais será como antes, os formatos de atendimento na saúde só avançam em direção a transformação

Novos formatos de triagem de pacientes baseado em dados se tornaram cada vez mais comuns com a Covid-19 em curso, ajudando a otimizar os recursos da saúde.

Além disso, as pessoas se tornaram mais receptivas às essas tecnologias devido a necessidade do isolamento social.

Ao passo que, será cada vez mais comum na medicina o machine learning, uma vertente da AI (inteligência artificial), que oferece a possibilidade de reconhecer padrões em dados e automatizar a construção de modelos analíticos.

11 – Filosofia, Mentalidade e Gestão Ágil serão os normais do novo normal

O pensamento ágil aplicado ao lean software na indústria comumente é adotado para testar soluções novas na saúde.

Testar rápido, aprender, adaptar, com custos mínimos, evitando desperdício estão sendo incorporados com fundamento na saúde. 

Até pouco tempo existia uma crença de que tudo com relação à saúde deveria ser extremamente complexo e caro.

Entretanto, com a chegada da pandemia, os profissionais da saúde constataram que existem outros caminhos. Um exemplo disso, são os pesquisadores que criaram ventiladores mecânicos que custam menos do que o habitual.

12 – Prevenção e Engajamento

É inegável que o contexto de COVID-19 tenha mudado os costumes das pessoas em relação à higiene e cuidados pessoais.

Quanto aos pacientes pós-digitais que estão acostumados a acessar rapidamente informações pela internet, eles já se mostram mais preocupados com a prevenção da própria saúde. 

Apesar de ser uma mudança positiva, ela faz com que os profissionais de saúde precisem educar seus pacientes com informações verdadeiras e relevantes, para que as fake news não ocupem espaço no meio médico. Favorecendo, dessa maneira, o engajamento do profissional também na internet.

Por isso, investir em marketing de conteúdo e buscar inovações tecnológicas serão decisões essenciais para os médicos que buscam melhorar seu atendimento.

Fortalecendo, assim, sua presença digital e disponibilizando conteúdos sérios e confiáveis para orientação e educação dos pacientes na internet.

13 – Teleducação Médica 

Demonstração de Telemonitoramento Cirúrgico no NMRTC, San Diego - telemedicina

Demonstração de Telemonitoramento Cirúrgico no NMRTC, San Diego

Nos processos de qualificação do mercado, a educação remota já era uma tendência, mas a área da saúde sempre manifestou muita resistência a ela.

Com a pandemia, as instituições de ensino se viram obrigadas a mudar muitas de suas práticas para o âmbito online no intuito de garantir a continuidade do desenvolvimento profissional dos médicos.

Graças à quebra dessa barreira, o novo normal também será marcado por uma educação em saúde mais prática e viável.

É evidente que os ensinos técnicos ainda requisitarão cursos e qualificações presenciais. Porém, muitas frentes teóricas serão facilitadas pelas aulas à distância.

No início, a maioria das instituições não estavam preparadas para o ensino a distância, algo que dificultou o processo de ensino-aprendizagem.

Mas, com o auxílio da tecnologia, foi possível estudar de qualquer lugar, algo que também é válido para os profissionais de saúde, ou estudantes de medicina. 

14 – Telemedicina em grande escala de utilização (amém!)

Apesar de ser uma modalidade de serviço médico comum em vários países, a Telemedicina ainda não era oficialmente regulamentada no Brasil. Sendo mais exato, sua autorização continua valendo apenas durante a pandemia

Entretanto, o CFM já buscava regulamentá-la ainda em 2020, antes da crise ocasionada pela COVID-19. Mostrando que, provavelmente, ela faça parte do novo normal dos consultórios médicos.

Um dos pontos chaves é a acessibilidade, quando se trata das vantagens na adesão à Telemedicina. O alcance aos atendimentos médicos perde a barreira geográfica por meio dessa ferramenta.

Além disso, há uma economia financeira em relação ao deslocamento e manutenção do espaço físico que deve ser considerada.

É importante ressaltar que o atendimento presencial é muito valioso e que jamais será substituído.

Contudo, é possível flexibilizar o atendimento médico para a modalidade virtual, levando benefícios ao seu negócio e ao paciente.

Ao ponto que, no intuito de atender as expectativas dos seus pacientes, você considere ter um sistema de Telemedicina. 

15 – LGDP chegando com tudo 

A teleconsulta, que se assemelha ao atendimento presencial, exceto pelo exame físico, já é vista de maneira alternativa e complementar do cuidado do paciente.

Uma mudança que pensávamos levar anos para ser concretizada, foi urgentemente acelerada pelo isolamento social, culminando na liberação da prática da telessaúde de forma completa e abrangente

Para que a prática seja realizada de forma adequada, segura e correta há muita responsabilidade por parte dos provedores de serviços.

Logo, a sanção da nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), faz o mercado de telessaúde ter a responsabilidade de garantir a segurança dos dados coletados, trafegados e armazenados em seus produtos.

Os sistemas devem oferecer uma interface simples, intuitiva e fácil de visualização de dados, para que tanto o profissional quanto o paciente sintam-se próximos de uma experiência presencial.

Sendo fundamental que o setor ofereça opções para que ambos possam decidir melhor a escolha dos produtos com os quais irão interagir.

16 – Desigualdades sociais no setor de saúde

A equidade em saúde é mais do que um acesso equitativo aos cuidados, é a capacidade de realizar nosso potencial humano em todos os aspectos da saúde e bem-estar.

Essa temática tem estado no centro das atenções, pois diversos estudos mostraram que o COVID-19 impacta desproporcionalmente grupos marginalizados e de baixa renda.

Essa situação simplesmente destaca as falhas estruturais no sistema de saúde, o viés não intencional, e as desigualdades dos determinantes sociais da saúde.

E há variações até em como essas questões se tornam mais reais em um país ou região.

17 – Cooperação na Saúde 

A pandemia também evidenciou fissuras e falhas no sistema global de saúde mental e nas instituições que cercam e apoiam esta área.

Em verdade, destacou o fato de que a saúde mental é mais do que um problema de saúde sozinho e está subindo na lista de prioridades em discussões de governos, planos de saúde e outras entidades.

Um dos desafios para o desenvolvimento de programas eficazes de saúde mental é a contínua falta de força de trabalho.

Nesse sentido, algo que tem um grande potencial para transformar os sistemas globais de saúde mental são as tecnologias digitais por serem, normalmente, mais acessíveis e se adequarem à finalidade necessária.

Aplicativos eficazes, convenientes e acessíveis podem ser usados em conjunto com a terapia tradicional, como fornecedores de suporte síncrono ou assíncrono de um terapeuta entre outros usos.

Aliás, algumas evidências mostram que tais plataformas melhoraram  o acesso ao eliminar o estigma social e os problemas ao viajar para uma consulta presencial.

Ademais, a saúde mental ainda não obteve uma área prioritária na agenda de saúde global, embora os subsídios estejam avançando.

Obter esse destaque seria importante já que a saúde mental é uma questão muito complicada e que demanda de muita colaboração entre setores públicos e privados. 

Criar sistemas focados na saúde mental compostos por governos, fornecedores e seguradoras, corporações, organizações comunitárias, instituições acadêmicas e outros órgãos pode abrir as portas para ações coordenadas e para investimentos.

E assim, apoiar e cooperar com ações locais, nacionais, regionais, e iniciativas globais de saúde mental.

18 – Aceleração de Talentos e Telessaúde: um novo normal indispensável

telemedicina foi regulamentada no Brasil e aderentes só crescem.

A adesão da telemedicina nas práticas médicas tradicionais não é novidade em termos tecnológicos e já ocorre entre os profissionais de saúde há décadas.

Seu uso entre os atuantes da área médica é regulamentado no Brasil desde 2002. 

Já o teleatendimento entre profissional de saúde e paciente só foi legalmente reconhecido por aqui apenas com o surgimento do COVID-19.

Em outros países, como Canadá, essa prática já era permitida por lei há anos. Ainda, estima-se que mais da metade dos atendimentos são realizados por meios digitais nos EUA atualmente.

Quando analisamos alguns grupos da saúde, notamos que, desde o século passado, conceitos e aplicações da telessaúde já eram utilizados.

Temos como exemplo a coleta do exame de Mapa Holter, método de análise do comportamento da pressão arterial, e laudos de exames realizados a distância.

Sabe-se que os benefícios da implementação de práticas da telessaúde são imensos e altamente impactantes e indispensáveis para o novo normal.

É de conhecimento geral que o contexto do novo normal apressou as mudanças digitais e evidenciou a demanda de integrar a tecnologia na prestação dos serviços dentro dos consultórios médicos.

Além disso, a repercussão desse novo contexto nos consultórios médicos estão intrinsecamente ligados a tudo que a Telemedicina pode oferecer e sua progressiva presença nas rotinas médicas. 

Com isso, vimos que é função de todos os profissionais se familiarizar e adotar a saúde digital, para fazer parte do futuro da medicina e desenvolver ainda mais as experiências dos pacientes.

Não deixe de citar suas percepções na área de comentários abaixo. Até mais.

Publicado em:07/12/2022
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