Tratamento médico e a tecnologia como sua aliada (2023)
Tratamento médico e a tecnologia como sua aliada (2023)
Paulo Miranda
Paulo Miranda
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Não só no tratamento médico, mas em incontáveis áreas se percebe benéficas transformações na quarta revolução (chamada de técnico-científica-informacional). Não obstante, a tecnologia passou a ser uma grande aliada no desenvolvimento de novos tratamentos e melhoria dos já existentes.

Tratamento médico e o futuro tecnológico da saúde
Como o avanço tecnológico tem sido aliado do desenvolvimento, principalmente na área da medicina.

O contexto histórico que relaciona a autonomia do médico x cuidados remotos

Pioneiro no desenvolvimento de uma visão mais elaborada, Hugo Gernsback foi o responsável pela publicação de dezenas de revistas da edição de fevereiro do ano de 1925 da revista Science and Invention.

Elaborando um novo dispositivo, o cientista criou um robô que poderia cuidar dos pacientes mesmo com o médico a quilômetros de distância.

Estando a frente de seu tempo, ele previu que seria possível o cuidado remoto quando os médicos estivessem nos hospitais de modo com que máquinas, dispositivos e até robôs pudessem, ao serem instalados nas casas dos pacientes, cuidar dos mesmos ao serem guiados por ondas de rádio. Ainda nas palavras de Gernsback, ele descreveu: 

O médico do futuro, por meio desse instrumento, poderá sentir seu paciente, por assim dizer, à distância. O médico manipula controles, que são manipulados no quarto do paciente exatamente da mesma maneira. O médico vê o que está acontecendo no quarto do paciente por meio de uma tela de televisão. Cada movimento que o médico faz com os controles é duplicado pelo rádio à distância. Sempre que o dedo do paciente encontra resistência, os controles distantes do médico encontram a mesma resistência . Os controles distantes são sensíveis ao som e ao calor, todos importantes para diagnósticos futuros.”

A ideia proposta por Gernsback aponta para uma relação médico-paciente moderna, acontecendo a distância, e foi baseado nisso que já ocorreram cirurgias teleguiadas.

A primeira operação usando um robô cirúrgico foi realizada em um hospital de Nova York no qual o médico, no ano de 2001, estava há milhares de quilômetros e a operação não poderia esperar já que era de urgência e foi chamada de “cirurgia de Lindbergh”. 

A perda parcial do toque humano, para alguns, é inevitável, porém a prática médica não necessariamente precisa ser completamente digitalizada já que existe uma interação que é necessária, mesmo que a interação analógica economize tempo e esforço mútuo.

Vendo de outro ângulo, mediante a uma escassez global de médicos, é necessário usar extensivamente as intervenções digitais.

Nos Estados Unidos, de acordo com uma reportagem vinculada à Science, o número de médicos, no ano de 2025, será de 60000. 

No entanto, apesar de parecer um grande número, precisamos levar em consideração que o continente africano tem cerca de 25% de toda a demanda epidemiológica mundial, mas apenas 3% de profissionais de saúde que podem intervir e promover os cuidados necessários. 

tratamentos médicos
Robô sendo usado para fazer a ligação para um médico que está em outro território. Tal interação possibilita levar atendimento médico a áreas que os profissionais são escassos.

Como os médicos tendem a permanecer em seus grandes centros, é impossível treinar uma grande quantidade para enviar aos cantos mais remotos do globo e, pautando-se nisso, a utilização da tecnologia será de extrema importância.

Visando mitigar a atual circunstância, a iRobot em parceria com a InTouch Health anunciaram, no ano de 2013, um robô chamado RP-VITA que seria possível ser manipulado de maneira remota e auxiliaria no desenvolvimento de procedimentos em lugares que tenham uma grande defasagem de mão de obra médica. 

A Food and Drug Administration, agência federal de saúde e serviços humanos dos Estados Unidos, liberou o uso do robô para monitoramento pré-operatório, operatório e pós-operatório.

O intuito é que ele possa fazer uma visão panorâmica do paciente, auxiliando o cirurgião a fazer uma conexão com outro cirurgião que não esteja presente no centro médico. 

Com isso, através das novas tecnologias, seria possível auxiliar remotamente os médicos em regiões escassas, levando conhecimento para um lugar que teria pouco acesso e disponibilidade para treinamento.

A empresa Dignity Health, localizada nos Estados Unidos, tem usado máquinas para videoconferência. Essas máquinas são montadas de modo a projetar o rosto do médico em uma tela grande e possibilitar a presença remota dele nas reuniões e intervenções. 

Além disso, os robôs contam com câmeras e microfones que possibilitam uma interação o mais próxima possível do real.

Para Alan Shatzel, diretor médico da Mercy Telehealth Network, a utilização da tecnologia permitiria que o robô estivesse à beira do leito em questão de minutos, independente da localização do paciente. 

Desse modo, seria como se o médico estivesse na sala, mesmo que nada substituísse o atendimento presencial, mas permitirá uma proximidade mais facilitada quando necessário.

No século passado, diante de uma situação de doença, o médico era chamado – ou o paciente era levado até ele – e o tratamento se iniciaria seja com a internação ou prescrição medicamentosa. 

Agora, com a telemedicina, a mudança ocorre quando o médico está disponível através de um único clique com a possibilidade de encontrá-lo em qualquer lugar do mundo.

Além do mais, já temos imagens holográficas permitindo uma presença quase tão real como se ambas estivessem em um mesmo ambiente.

Várias indústrias já usam uma realidade ampliada para promover maiores experiências sensoriais aos seus usuários.

No mundo dos videogames existe, por exemplo, um conceito chamado de “force feedback” que permite uma experiência ao jogador de sentir oscilações em jogos de corrida que passe por terrenos acidentados. 

Na Califórnia o conceito já foi ampliado para a saúde e usado em cirurgias que permitem ao médico sentir uma resistência ao administrar injeção virtual.

Além disso, também existem luvas que dão sensações de toque, mesmo de maneira remota. É a tecnologia alçando vôos em todos os lugares, principalmente para a melhoria da saúde.

Atendimento domiciliar do século 21

Um relatório publicado no ano de 2014 pela Deloitte, uma empresa de auditoria e consultoria empresarial, apontou que os procedimentos eletrônicos chegariam, globalmente, perto dos 100 milhões.

Com a busca maior por telessaúde, ocorreu uma economia de cerca de US $5 bilhões se comparado com os custos de consultas presenciais. 

Além disso, também ocorreu melhorias na qualidade do atendimento, flexibilização dos preços, avanços na área de telecomunicações e impulsionamento dos profissionais para buscarem e se adaptarem à telemedicina. Por fim, a mensagem final foi:

“Como as visitas eletrônicas são comprovadas e adotadas no mundo desenvolvido, e como a infraestrutura necessária é implantada no mundo em desenvolvimento, é provável que ofereçam cuidados médicos e diagnósticos primários acessíveis a populações muito grandes que não têm acesso hoje.”

tratamento de saúde
Robô sendo utilizado (autonomia do paciente) como forma de contato com a equipe médica e de enfermagem. A tecnologia foi amplamente usada durante a pandemia do coronavírus e tende a ser potencializada cada vez mais.

E se você pudesse conversar com um médico através de um programa de saúde de modo a tirar suas dúvidas?

Isso aconteceu no ano de 2010 quando a Associação de Serviços Médicos de Havaí uniu-se ao maior plano de saúde local para disponibilizar o atendimento para seus membros. 

De modo a angariar mais adeptos, os não conveniados também poderiam utilizar o serviço mediante pagamento de uma taxa.

Assim, os interessados poderiam conversar com o médico mesmo ele não estando no território, tendo atendimento com hora marcada e padronizado para sua necessidade particular.

Já o HealthTap é um serviço norte-americano no qual é ofertado uma consulta inicial gratuita ao paciente. O mesmo pode fazer um questionamento para um painel de médicos e o site afirma que mais de um bilhão de perguntas já foram cadastradas e respondidas, de modo a salvar cerca de 13000 vidas ao longo de seu funcionamento. 

autonomia do médico
Como a tecnologia tem sido aliada ao tratamento médico em suas várias vertentes. Vale pontuar que o intuito não é eliminar a mão de obra humana, mas sim ter uma maneira de complementar e levar atendimento aos lugares mais remotos do globo.

No entanto, vale ressaltar que a Associação Médica Americana alertou que é um serviço complementar e não único, a comunicação médico-paciente deve continuar acontecendo e o serviço deve ser utilizado apenas para uma dúvida pontual relacionado a algo que não demande exame físico ou monitoramento mais específico. 

Usar informações de modo isolado e como padrão único pode causar uma série de ameaças aos pacientes e acabar com a credibilidade e finalidade do serviço instalado. As inovações não param por aí.

Várias empresas começaram a investir nos serviços de telemedicina, inclusive a Google que em novembro de 2013 lançou o Google Helpouts. 

O aplicativo tem por finalidade promover o acesso facilitado a vários serviços, como educação e serviços básicos relacionados a dúvidas médicas.

A plataforma permite que a sessão possa ser gratuita, ser cobrada por minuto ou por sessão, e 20% do valor fica destinado à Google. 

Com isso, seria possível promover uma intercambialidade de acesso médico e melhorar a promoção de saúde básica já que seria um serviço complementar que permitirá tirar dúvidas sobre sintomas e tratamentos leves através de teleconferência que estejam conforme as regras do estatuto federal estadunidense sobre a prática médica.

O que você faria se passasse por situações médicas que te colocassem no meio de um turbilhão de sensações negativas?

Chegar em um consultório e permanecer, por longos minutos além do esperado, aguardando por atendimento ou sofrer de dores diárias que ninguém consegue diagnosticar. 

Foram essas situações que fizeram com que Maayan Cohen e Ziv Meltzer unissem forças para criar a plataforma “Hello Doctor”, um serviço online usado para gerenciar os registros médicos e auxiliar na descoberta de diagnósticos compartilhados. 

Meltzer explica que o histórico da plataforma ajuda os pacientes e os médicos, angariando informações para serem partilhadas conforme o histórico for sendo atualizado. Desse modo, se torna possível coletar, organizar e compartilhar registros médicos para obter uma segunda opinião e iniciar uma abordagem conjunta na busca de melhorias.

Já no centro médico Stanford Hospital & Clinics localizado na Califórnia, a teleconsulta se tornou uma das vertentes mais buscadas pelos pacientes.

É possível agendar uma chamada de vídeo, fornecer informações prévias e não precisar se deslocar até o centro hospitalar. 

Com isso, o paciente ficará online na hora marcada para se reunir com o médico e poderá sanar suas dúvidas mediante ao atendimento.

Mesmo com o número crescendo exponencialmente, é necessário que ocorra uma padronização de registros médicos para facilitar a conexão. 

No ano de 2005, Ryan Howard criou uma tecnologia chamada “Practice Fusion” que permitiu uma melhor padronização de registros médicos.

O objetivo final foi promover uma tabela homogeneizada para guardar prontuários de acordo com os registros pessoais de saúde, além de criar alertas na língua escolhida para lembrar sobre o tratamento. 

autonomia do paciente
Médico realizando teleatendimento, algo que tem se tornado cada vez mais comum e visa integrar, além de diminuir os custos para médicos e pacientes.

Desse modo, o sistema veio promovendo a compreensão de expressões e palavras médicas para intervir nos assuntos necessários e massificar o linguajar médico, facilitando a compreensão do paciente e uma abordagem mais ativa para ele.

Ocorreu também, na conferência TED de 2014, na cidade de Vancouver, uma palestra com Lawrence Edward Page, mais conhecido como Larry Page, um cientista norte-americano e cofundador da Google. 

Durante a entrevista, Page relatou o avanço que o Google Health teve dentro da medicina virtual, promovendo a melhoria de vida e possibilitando o salvamento de cerca de 100000 vidas. 

As informações eram constantemente atualizadas e registradas na plataforma, levando atualização aos centros médicos para que as intervenções pudessem ocorrer de maneira correta e direcionada.

As inovações promoveram uma acessibilidade incomum ao século passado: a saúde e o atendimento médico passaram a ir para a casa do paciente, atendê-lo de modo domiciliar sem – geralmente – a necessidade física do deslocamento do médico e/ou do paciente. 

Temos como exemplo a HealthSpot, uma plataforma que permite a teleconsulta padronizada em um ambiente virtual que simula um consultório médico.

Através do software é possível que o paciente tenha um atendimento que seja possível  apresentar os exames para buscar diagnósticos, além de sanar as eventuais dúvidas com o médico. 

Os dados são armazenados em um prontuário digital seguro e acessível apenas ao médico que esteja indicado para o atendimento. Como o paciente é atendido frente a uma webcam, abre-se a possibilidade de ocorrer um exame físico mais geral conforme avaliação médica, não excluindo a necessidade da presença física para eventuais tratamentos.

A maior empresa fabricante de dispositivos médicos mundiais, a Medtronic, vem desenvolvendo bombas de insulina associadas a monitores de glicose e dispositivos cardíacos que fornecem dados atualizados e fidedignos relacionados à saúde do paciente. 

Em um servidor seguro, os dados são armazenados constantemente de modo rotativo para permitir uma avaliação constante do estado de saúde do paciente. 

adesão ao tratamento
Kinect sendo utilizado na reabilitação fisioterapêutica de um paciente. A gameterapia, como é chamado o procedimento, tem se expandido mundo afora e conquistado mais adeptos já que é um tratamento que diminui o estresse do paciente e o torna um agente ativo em sua recuperação.

Controlando, por exemplo, as taxas de glicose, torna-se possível saber se a terapia medicamentosa está fazendo efeito ou se precisa ter uma modificação para atender as necessidades individuais, evitando complicações dos casos que estão sendo acompanhados e tratados.

O Kinect, muito conhecido por ser usado em videogames de última geração e que possibilitam a interação do jogador, também passou a ser usado pela Microsoft como um grande aliado nos tratamentos médicos fisioterapêuticos.

Através da conexão utilizando o Kinect, Skype e HealthVault EMR, os dados são enviados para uma nuvem da Microsoft tornando a sessão interativa e ativa, o que é um grande atrativo até para as crianças que tendem a recusar o tratamento de doenças. 

GAMETERAPIA – NOVAS TECNOLOGIAS NO ATO DE TRATAR

Vídeo falando sobre a gameterapia e como a tecnologia tem sido uma aliada na adesão ao tratamento fisioterapêutico.

Os pacientes tornam-se agentes ativos durante a sessão de fisioterapia, interagindo com o software para fazer os movimentos aplicados ao jogo e que servem para gerenciar as estatísticas do tratamento. 

As informações, ao serem guardadas na nuvem, podem ser analisadas por uma inteligência artificial que dá o laudo da evolução, compartilhando com o prontuário do paciente para eventuais consultas médicas e terapêuticas.

Esses serviços podem conectar médicos e pacientes em um atendimento virtual, tornando-se cada vez mais um marco de evolução tecnológica e para a saúde.

Através de tal evolução,  torna-se possível a maior acessibilidade do paciente aos seus registros, também massificando as informações com outros profissionais que necessitem entender e intervir no caso em questão. 

Com a escassez médica mundial, a integração auxilia países subdesenvolvidos a conectar seus pacientes com médicos ao redor do mundo, promovendo um atendimento online atencioso e específico para o caso.

A tecnologia dentro do tratamento de saúde é um caminho sem volta

Como visto, a telemedicina atua incentivando os pacientes a serem agentes ativos em seus cuidados, melhorando cada vez mais a relação médico-paciente atuando como um complemento adicional aos pacientes que não podem se deslocar ou que não têm contato com o médico regional devido a baixa oferta. 

É esperado que ocorra um desafogamento dos centros hospitalares com uma melhoria acentuada na atenção ofertada aos usuários.

Assim, também pode-se dizer que o futuro já começou e as inovações continuarão a ocorrer para facilitar e melhorar os cuidados oferecidos pela equipe médica a seus pacientes.

Publicado em:21/11/2022
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